Resultados 3T26

Tegma Gestão Logística SA

Divulgação de resultados – terceiro trimestre e nove meses de 2026

São Bernardo do Campo, 4 de novembro de 2026

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A Tegma Gestão Logística SA, uma das maiores empresas de logística do Brasil, divulga os resultados do terceiro trimestre de 2026:

Disclaimer declarações prospectivas

Esta comunicação contém declarações prospectivas baseadas nas atuais expectativas e crenças da administração da Tegma. A Tegma está fornecendo informações na data desta comunicação e não assume nenhuma obrigação de atualizar quaisquer declarações prospectivas contidas neste documento como resultado de novas informações, eventos futuros ou outros.

Nenhuma declaração prospectiva pode ser garantida e os resultados reais podem diferir materialmente daqueles que projetamos.

Destaques

Aprovação de pagamento de dividendos e JCP intercalares referentes ao terceiro trimestre de 2026

Em ata de reunião de Conselho de Administração de 4 de novembro de 2026, o Conselho de Administração anunciou a distribuição de R$ 70,6 milhões em proventos intercalares (R$ 52,8 milhões em dividendos e R$ 17,8 milhões em JCP), ou R$ 1,07 por ação, correspondente a 60% do lucro líquido do 3T26. Os proventos intercalares serão pagos aos acionistas em 19 de novembro de 2026, beneficiando os acionistas que constem da posição acionária da Companhia de 9 de novembro de 2026 (“Data de Corte”). As ações da Companhia serão negociadas “ex-dividendos e JCP” a partir de 10 de novembro de 2026, inclusive. O dividend yield dessa distribuição corresponde a 3% (considerando como preço base a data da deliberação).

Utilização de Crédito de IRPJ/CSLL já Ativados (Efeito Caixa) – Trânsito em Julgado

A Tegma reconheceu em 2019 e 2021 valores dos créditos de PIS e COFINS provenientes de ação judicial que garantiu o direito da exclusão do ICMS de suas respectivas bases de cálculo (Tese do Século), inclusive com a repetição dos indébitos do passado. O valor total foi de cerca de R$ 102 milhões. No reconhecimento contábil desses valores, houve a incidência do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

Em paralelo, a Tegma ingressou com uma ação judicial para afastar essa tributação sobre a atualização monetária (Selic) proveniente de indébitos tributários por meio de reconhecimento judicial. Em setembro de 2022, o STF julgou, em repercussão geral, essa matéria, afastando essa tributação. Em razão disso, a Tegma contabilizou os valores dos tributos que foram recolhidos sobre a atualização monetária dos créditos mencionados, nos valores de R$ 12,9 milhões de principal e R$ 7,8 milhões de atualização, no total R$ 20,7 milhões.

Em maio de 2026, houve o trânsito em julgado da ação própria da empresa sobre o tema. Com isso, os valores começaram a ser utilizados em julho (efeito caixa) e já geraram uma redução de R$ 5,2 milhões de IR no 3T26. A utilização dos créditos ocorrerá em um prazo mínimo de 12 meses (1/12 avos).

Crédito IRPJ/CSLL sobre Crédito Presumido do ICMS (Efeito Resultado e Caixa)

A Lei nº 14.789/2023 de 29 de dezembro de 2023, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2024, estabeleceu a tributação pelo Imposto de Renda – IRPJ e Contribuição Social – CSLL sobre os valores de quaisquer incentivos fiscais, inclusive os valores provenientes de créditos presumidos do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Para tanto, a respectiva Lei revogou os §§ 4º e 5º da Lei nº 12.973/2014, que equiparavam quaisquer benefícios fiscais do ICMS como “subvenções para investimento”.

Em razão dessa publicação, a Companhia passou a tributar os valores de créditos presumidos a partir dessa data. Em paralelo, a Companhia ingressou com um Mandado de Segurança com a finalidade de questionar essa tributação e garantir o direito de excluir esses valores da apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. O argumento principal da ação foi o respeito ao princípio do Pacto Federativo, uma vez que, em um breve resumo, a tributação pela União de um benefício fiscal concedido pelos Estados criaria uma hierarquia indevida entre os entes federados.

Em junho de 2026, a ação transitou em julgado de maneira favorável à Companhia e suas Controladas, com a possibilidade de restituição dos valores pagos no passado. Em razão disso, a Companhia voltou a deduzir esses valores em suas apurações, bem como levantou os valores de créditos tributários decorrentes da reapuração do IRPJ e CSLL desde janeiro de 2024.

Essa decisão permitiu à Tegma reconhecer um crédito de R$ 24,4 milhões na linha de Imposto de Renda e um crédito de atualização monetária de R$ 4,8 milhões, totalizando R$ 29,2 milhões.

Novidades do Site de RI

A análise do mercado automotivo brasileiro pode ser desafiadora pela fragmentação de origens de informação e a dificuldade de consolidação delas para análises comparativas e históricas. Para facilitar essa análise, o RI da Tegma criou um Painel Automotivo (https://ritegma.com.br/painelauto), o que permitirá ao investidor um diagnóstico mais claro desse importante mercado de atuação da Companhia. O painel contém informações de vendas, produção, crédito automotivo, market share, entre outras.

Adicionalmente, o RI da Tegma também inova na criação de um Painel de Resultados do Trimestre. Sabe-se que a divulgação de resultados envolve a publicação de diversos documentos e que o entendimento de todas as informações pode ser desafiador. O Painel tem o intuito de consolidar de uma forma organizada e de mais fácil leitura. O painel de cada trimestre pode ser acessado em https://ritegma.com.br/.

O Guia de Valuation da Tegma sempre foi referência no mercado, em sua estrutura em Excel. A partir de agora, o Guia de Valuation será uma página na Internet, com uma melhor navegabilidade entre as suas diversas seções. Confira em https://ritegma.com.br/guiavaluation.

Por último, a Série Histórica em Excel da Tegma também é uma referência no mercado pelo seu longo histórico e por contemplar as notas explicativas das Demonstrações Financeiras. A inovação agora será que um Painel Interativo dos resultados será uma ferramenta extra, que permitirá uma análise por meio de gráficos e de consolidação em diversos períodos, além do trimestre. Esse painel pode ser acessado em https://ritegma.com.br/serie-historica/dre-contabil.

Anúncio de novos investimentos

Em ata de Reunião de Conselho de Administração de 22 de outubro de 2026, deliberou-se pela aprovação de novos investimentos importantes para o crescimento e para melhoria de capacidade da Operação de Logística de Veículos.

O primeiro deles se refere ao investimento de R$ 12 milhões para a pavimentação de uma área de propriedade da Tegma, localizada na cidade de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, a 12 km do Porto de Suape. Com conclusão prevista para junho de 2027, o novo pátio ampliará a capacidade de atendimento à demanda por veículos nacionais e dará suporte às operações de importação de veículos de montadoras chinesas, que já respondem por quase 20% do licenciamento nacional e apresentam perspectivas significativas de crescimento.

O segundo investimento refere-se à aprovação de R$ 22 milhões para a aquisição de “carretas cegonha” para serem utilizadas na operação de transporte fluvial entre Belém-PA e Manaus-AM. Nessa operação, as “carretas cegonha”, carregadas com os veículos e sem os cavalos mecânicos, são embarcadas em balsas para o transporte entre as duas localidades. A ampliação da capacidade operacional acompanha o crescimento das vendas de veículos no Estado do Amazonas, que avançaram 48% desde 2024, enquanto as vendas nacionais cresceram 18% (base 3T26). Esta ampliação proporcionará uma melhor performance operacional e será implementada entre o final de 2026 e o decorrer de 2027, conforme a disponibilidade dos equipamentos no mercado.

O terceiro investimento contempla a destinação de R$ 18 milhões para a ampliação da frota de equipamentos de transporte da Fastline, unidade de negócios especializada na logística de veículos emplacados, usados e motos. Criada em 2018, a operação, em conjunto com a Buskar.me, recentemente adquirida, registra atualmente receita líquida de R$ 84 milhões. Com realização estimada até junho de 2027, o investimento compreenderá a aquisição de cavalos mecânicos, carretas, plataformas e gaiolas (as duas últimas para dar flexibilidade operacional em centros urbanos). A ampliação da frota própria proporcionará maior segurança operacional e ampliará a capacidade de captura de novos mercados. Ainda assim, a Fastline seguirá com uma estratégia “asset-light” com mais de 70% da sua receita oriunda de frete terceiro.

Importante que todos os investimentos aprovados passam por uma análise de retorno dentro dos exigentes critérios de custo de capital da Tegma.

Mercado automotivo

A venda de veículos no mercado doméstico no 3T26 foi 17,9% superior na comparação anual, conforme pode ser observado na Tabela 1. Essa performance, de acordo com a ANFAVEA, continua a ser proveniente do crescimento de veículos eletrificados e dos veículos enquadrados no programa governamental Carro Sustentável. Complementarmente, pôde-se identificar (i) o aumento de renda do rendimento médio real da população, (ii) acirramento da concorrência entre as montadoras, (iii) redução dos preços dos veículos e (iv) crescimento de vantagens, como taxa zero no financiamento. O programa governamental Move Brasil, que promove crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas, vigora desde 19 de junho.

No Gráfico 1, é possível visualizar o patamar superior das vendas mensais ao longo do 3T26 vs. o 3T25.

Analisando o desempenho das top 20 montadoras, as maiores ganhadoras de market share no período foram a BYD, Geely, GWM e Omoda & Jaecoo. As que perderam mais participação foram a Fiat, Toyota, Volkswagen e Hyundai. Os veículos eletrificados já correspondem a 24% das vendas no Brasil.

As exportações se retraíram 25,3% no 3T26 em comparação ao 3T25. Esse resultado foi justificado principalmente pela redução das vendas para a Argentina, Uruguai e Chile e da maior concorrência de montadoras chinesas na América Latina, de acordo com a ANFAVEA.

O crescimento de 8,9% na produção de veículos no 3T26 vs. o 3T25 decorreu do aumento das vendas domésticas.

O aumento de 44% nas vendas de veículos importados deve-se à entrada de novas marcas chinesas e ao avanço da eletrificação no mercado brasileiro.

Tabela 1 – Dados mercado automotivo 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
(=) Venda de veículos 908,6 10,1% 825,2 2.473,7 11,6% 2.215,8
(+) Doméstico 797,5 17,9% 676,5 2.159,0 19,4% 1.808,9
(+) Exportação 111,1 -25,3% 148,7 314,7 -22,7% 406,9
Produção de veículos 752,4 8,9% 690,6 2.052,5 9,8% 1.870,1
Vendas de veículos importados 181,4 44,1% 125,9 459,5 30,8% 351,2

Fonte: ANFAVEA, FENABRAVE – veículos leves e comerciais leves                                                            (em mil)

Destaques operacionais – Divisão Logística Automotiva

A quantidade de veículos transportados pela Tegma no 3T26 foi de 214 mil, 8,5% superior na comparação anual, conforme mostrado na Tabela 2. Esse volume resultou em um market share de 23,6% (-0,3 p.p. vs. o 3T25). O crescimento da quantidade de veículos transportados no 3T26 foi impulsionado pelo aumento dos emplacamentos nacionais. A redução de market share da Tegma reflete o desempenho dos clientes-chave.

A distância média das viagens domésticas no 3T26 foi de 1.246 km, uma queda de 0,9% na comparação anual, conforme a Tabela 2. A distância média das exportações foi 19% inferior no 3T26 na comparação anual, em função da redução de viagens para o Mercosul. Apesar disso, em função da maior participação das viagens nacionais no cálculo ponderado, a distância média consolidada no 3T26 aumentou 2,7% na comparação anual.

Tabela 2 – Dados operacionais 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Veículos transportados (mil) 214,4 8,5% 197,5 576,3 12,4% 512,8
Doméstico 191,2 16,1% 164,7 510,8 19,9% 425,9
Exportação 23,2 -29,3% 32,8 65,5 -24,7% 87,0
Market share % * 23,6% -0,3 p.p. 23,9% 23,3% 0,2 p.p. 23,1%
Km média por veículo (km) 1.146,3 2,7% 1.116,1 1.151,4 6,7% 1.079,3
Doméstico 1.245,7 -0,9% 1.257,5 1.258,5 3,0% 1.222,2
Exportação 327,4 -19,5% 406,6 316,8 -16,6% 379,7

* Considerando no denominador as vendas de veículos e comerciais leves da Tabela 1.                                        (em mil, exceto km média)

Resultados – Divisão de Logística Automotiva

A receita bruta da Divisão de Logística Automotiva foi de R$ 887 milhões no 3T26, alta de 19% na comparação anual (Tabela 3). O crescimento refletiu o aumento de 8,5% no volume de veículos transportados, de 2,7% na distância média (por efeito mix, da maior participação do doméstico), os reajustes anuais das tarifas de transporte e a expansão dos serviços de armazenagem de veículos e transferências entre pátios. A receita da Fastline cresceu no trimestre, impulsionada pela demanda por transporte de veículos usados e motos.

As deduções da receita bruta da divisão cresceram 21,2%, acima do crescimento mencionado da receita bruta. A principal causa foi a queda acentuada da receita de transporte de veículos para exportação, sobre a qual não incide ICMS. A menor participação dessa receita elevou o peso das deduções sobre a receita bruta.

Os custos dos serviços prestados da divisão cresceram 21,7%, portanto, também acima do crescimento da receita, e pressionaram a margem. Os principais fatores foram: i) queda de 47% nas viagens rodoviárias de exportação, após o aumento atípico no 3T25. Essas viagens utilizavam principalmente frota própria e têm maior rentabilidade. A redução gerou impacto negativo de R$ 6,4 milhões na comparação anual (-0,9 p.p. de margem); ii) custos adicionais de R$ 2,9 milhões com mão de obra (-0,4 p.p.), uma vez que os altos volumes e a disponibilidade limitada de pessoal nas bases de Camaçari/BA e Cariacica/ES exigiram deslocar colaboradores de outras bases, gerando horas extras nas bases de origem e a necessidade de contratação de temporários; iii) maiores custos com consultorias e honorários, principalmente para regularizar terrenos adquiridos e alugados recentemente em Camaçari-BA, no valor de R$ 1,9 milhão (-0,3 p.p.) e iv) aumento da depreciação de novos “investimentos em implementos e benfeitorias em pátios” e maior impacto contábil da amortização pela renovação de contratos de aluguel e inclusão de novos contratos, gerando no seu conjunto um efeito negativo de R$ 2,2 milhões (-0,3 p.p.).

Com esses efeitos, a margem bruta foi de 19,4% no 3T26, queda de 2,0 p.p. na comparação anual.

As despesas da divisão cresceram 5,5%, em linha com a inflação no período. Como cresceram menos que a receita, contribuíram positivamente com 0,5 p.p. para a margem operacional.

Assim, a margem operacional foi de 15,3%, queda de 1,5 p.p., parcialmente compensada pela menor participação das despesas na receita. O EBITDA da divisão foi de R$ 122,4 milhões, com margem de 17,2%, também 1,5 p.p. inferior à do 3T25.

Tabela 3 – DRE da Divisão de Logística Automotiva 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Receita bruta 887,2 19,2% 744,4 2.352,9 26,8% 1.855,4
Deduções da receita bruta (175,3) 21,2% (144,6) (468,0) 28,2% (365,1)
Receita líquida 711,9 18,7% 599,9 1.884,9 26,5% 1.490,3
Custos dos serviços prestados (573,5) 21,7% (471,1) (1.521,4) 28,9% (1.180,5)
Resultado bruto 138,5 7,5% 128,8 363,5 17,3% 309,8
Margem bruta% 19,4% -2,0 p.p. 21,5% 19,3% -1,5 p.p. 20,8%
Despesas (29,5) 5,5% (28,0) (90,4) 8,0% (83,7)
Resultado operacional/EBIT 109,0 8,1% 100,8 273,1 20,8% 226,2
Margem operacional % 15,3% -1,5 p.p. 16,8% 14,5% -0,7 p.p. 15,2%
(-) Depreciação e amortização (13,5) 20,5% (11,2) (39,2) 20,0% (32,7)
EBITDA 122,4 9,3% 112,0 312,4 20,7% 258,9
(+) Não recorrentes¹ – – – 7,2 – –
EBITDA ajustado¹ 122,4 9,3% 112,0 319,6 23,4% 258,9
Margem EBITDA Ajustada¹ % 17,2% -1,5 p.p. 18,7% 17,0% -0,4 p.p. 17,4%

¹ Ajustado por indenização relacionada à antiga controlada Direct Express, no montante de R$ 7,2 milhões (reconhecida no 2T26), que impactou as Outras Despesas e Receitas da Divisão Automotiva.

Resultados – Divisão de Logística Integrada

A receita bruta da Divisão de Logística Integrada no 3T26 foi de R$ 61 milhões, 46% superior na comparação anual, impulsionada principalmente pelo maior volume armazenado na operação de Granéis e pelo novo contrato de transporte de contêineres para uma montadora no Estado da Bahia, com incremento de R$ 4,5 milhões.

As deduções da receita bruta da divisão cresceram 64,8%, acima do crescimento da receita bruta, influenciadas pelo cancelamento de R$ 0,9 milhão em notas fiscais, posteriormente refaturadas no mesmo mês e, portanto, sem impacto na receita líquida.

Os custos da divisão cresceram 34,8%, abaixo do crescimento da receita, refletindo ganho de alavancagem operacional na armazenagem, com diluição dos custos fixos pelo maior volume. Como pressão, permanece o aumento do diesel, integralmente repassado aos transportadores, mas apenas parcialmente recuperado junto aos clientes.

Em função dessa variação dos custos, a margem bruta cresceu 4,4 p.p. no 3T26 na comparação anual e, com a contribuição da diluição das despesas, que cresceram apenas 3,1%, a margem EBITDA foi 15,2%, 1,2 p.p. superior.

Tabela 4 – DRE da Divisão de Logística Integrada 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Receita bruta 61,2 45,9% 42,0 170,3 12,2% 151,8
Logística industrial 61,2 45,9% 42,0 170,3 12,2% 151,8
Deduções da receita bruta (12,6) 64,8% (7,6) (33,2) 22,9% (27,0)
Receita líquida 48,7 41,7% 34,4 137,1 9,8% 124,8
Custos dos serviços prestados (42,3) 34,8% (31,4) (119,2) 11,3% (107,2)
Resultado bruto 6,4 114,0% 3,0 17,9 1,2% 17,7
Margem bruta% 13,1% 4,4 p.p. 8,7% 13,0% -1,1 p.p. 14,1%
Despesas (2,7) 3,1% (2,6) (6,9) -23,8% (9,1)
Resultado operacional/EBIT 3,7 823,9% 0,4 11,0 27,8% 8,6
Margem operacional % 7,7% 6,5 p.p. 1,2% 8,0% 1,1 p.p. 6,9%
(-) Depreciação e amortização (3,7) -16,7% (4,4) (12,1) -7,1% (13,0)
EBITDA 7,4 53,8% 4,8 23,0 6,8% 21,6
EBITDA ajustado 7,4 53,8% 4,8 23,0 6,8% 21,6
Margem EBITDA % 15,2% 1,2 p.p. 14,0% 16,8% -0,5 p.p. 17,3%

Resultados – Consolidado

O crescimento da receita bruta consolidada da Companhia no 3T26 foi influenciado pelo aumento da quantidade de veículos transportados, da distância média (por efeito mix), pelos reajustes de preços e pelo aumento de serviços logísticos na Divisão de Logística Automotiva, assim como pelo crescimento da Logística de veículos usados. A Divisão de Logística Integrada contribuiu positivamente para a receita com uma nova atividade de gestão logística de contêiner e pelo crescimento dos volumes da operação de granéis.

As deduções da receita bruta cresceram 23,4%, acima do crescimento da receita bruta em função da queda de serviços prestados para exportação pela divisão automotiva que não incidem imposto e pelo cancelamento de notas refaturadas na divisão de logística integrada, sem impacto na receita líquida.

Os custos dos serviços prestados cresceram 22,6%, crescimento acima da receita, em função de efeitos operacionais da divisão automotiva, como a queda da receita com exportação que foi mais rentável no 3T25, maiores custos de deslocamento de mão de obra, custos com consultorias e honorários e maior depreciação. Esse desempenho ocorreu apesar de melhorias da divisão de logística integrada, proveniente da diluição do custo da divisão com o aumento da receita com armazenagem.

As despesas cresceram 5,3%, em linha com a inflação no período.

Como resultado dos efeitos descritos anteriormente, a margem bruta foi de 19,0% no 3T26, uma queda de 1,7 p.p. Essa queda foi parcialmente amenizada pelo crescimento menor das despesas, se refletindo em uma margem operacional de 14,8%, 1,1 p.p. inferior. O crescimento da depreciação e amortização de 9,6%, inferior ao da receita, foi o motivo pelo qual a margem EBITDA se retraiu mais que a margem operacional, em -1,4 p.p.

Tabela 5 – DRE Consolidado 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Receita bruta 948,4 20,6% 786,4 2.523,2 25,7% 2.007,3
Logística automotiva 887,2 19,2% 744,4 2.352,9 26,8% 1.855,4
Logística integrada 61,2 45,9% 42,0 170,3 12,2% 151,8
Deduções da receita bruta (187,8) 23,4% (152,2) (501,2) 27,8% (392,1)
Receita líquida 760,6 19,9% 634,2 2.022,0 25,2% 1.615,1
Custos dos serviços prestados (615,8) 22,6% (502,4) (1.640,6) 27,4% (1.287,6)
Resultado bruto 144,9 9,9% 131,8 381,4 16,5% 327,5
Margem bruta% 19,0% -1,7 p.p. 20,8% 18,9% -1,4 p.p. 20,3%
Despesas (32,2) 5,3% (30,6) (97,3) 4,9% (92,7)
Resultado operacional/EBIT 112,7 11,3% 101,2 284,1 21,0% 234,7
Margem operacional % 14,8% -1,1 p.p. 16,0% 14,0% -0,5 p.p. 14,5%
(-) Depreciação e amortização (17,1) 9,6% (15,6) (51,3) 12,3% (45,7)
EBITDA 129,8 11,1% 116,8 335,4 19,6% 280,4
(+) Não recorrentes¹ – – – 7,2 – –
EBITDA ajustado¹ 129,8 11,1% 116,8 342,6 22,2% 280,4
Margem EBITDA ajustada¹ % 17,1% -1,4 p.p. 18,4% 16,9% -0,4 p.p. 17,4%

¹ Ajustado por indenização relacionada à antiga controlada Direct Express, no montante de R$ 7,2 milhões (reconhecida no 2T26), que impactou as Outras Despesas e Receitas da Divisão Automotiva.

A redução de 86% do resultado proveniente de dívidas e de aplicações financeiras no 3T26, conforme demonstrado na Tabela 6, decorre do aumento da dívida da Companhia após a contratação de R$ 63 milhões em novos financiamentos nos últimos 12 meses, líquido dos pagamentos. Os juros sobre arrendamento apresentaram redução de 10% no 3T26 na comparação anual, em função da diminuição de juros decorrente do prazo de contratos, de acordo com a norma contábil IFRS 16. As Outras despesas e receitas financeiras foram impactadas pelo crédito tributário informado nos destaques do trimestre, cuja correção de valores impactou diretamente esta rubrica, no montante de R$ 4,8 milhões.

Tabela 6 – Resultado financeiro 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Receita de aplicações financeiras 6,4 -46,5% 12,0 19,3 -40,2% 32,2
Despesa de juros (5,3) 27,2% (4,2) (14,6) 24,6% (11,7)
Resultado proveniente de dívidas e aplicações financeiras 1,1 -85,7% 7,8 4,6 -77,3% 20,5
Juros sobre arrendamento (2,7) -10,0% (3,0) (7,6) -16,2% (9,0)
Outras despesas e receitas financeiras 3,8 – (1,5) 2,7 – (2,5)
Resultado financeiro 2,2 -32,0% 3,3 (0,2) – 8,9

A equivalência patrimonial, conforme indicado na Tabela 9, foi positiva em R$ 5,6 milhões no 3T26. Esse resultado é explicado principalmente pelos lucros da joint venture GDL, conforme demonstrado na Tabela 7, que exibe 100% do seu resultado.
Equivalência patrimonial: 50% da empresa GDL (armazenagem alfandegada e geral do Espírito Santo) e 20% da Rabbot (startup de gestão de frotas).

A redução de 20% da receita líquida decorre principalmente da mudança do perfil das operações logísticas dos produtos importados através do Estado do Espírito Santo, assim como explicado no 2T26. Esses fatores foram: (i) maior concorrência de pátios não alfandegados para veículos, possibilitada pelo despacho sobre águas; (ii) a chegada de maior volume de veículos em navios ro-ro ao invés de armazenados em racks, que implicam em menor receita de serviços agregados, (iii) a maior utilização da DUIMP (Declaração Única de Importação) pelos clientes, permitindo a nacionalização sobre águas/ares, o que elimina a necessidade de passagem da carga pela zona secundária e, por fim, (iv) a valorização cambial, que é desfavorável às receitas de armazenagem alfandegada.

Com relação às margens, apesar da redução de 20% das receitas, a GDL foi capaz de reduzir em 17% seus custos nesse trimestre, mitigando a queda da margem bruta, principalmente nas linhas de pessoal e de custos fixos. No entanto, as despesas foram 7% superiores, impactadas pelo dissídio e por uma nova área comercial, influenciando negativamente as margens operacionais. Os pátios alugados visando o atendimento da demanda em períodos de “picos de estoque” foram sublocados nesse 3T26, mitigando o impacto financeiro. A redução da margem líquida se deveu principalmente à redução da margem operacional.

Tabela 7 – Resultado GDL (100%) 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Receita líquida 65,0 -19,8% 81,0 186,6 -17,7% 226,7
Custo dos serviços prestados (43,5) -16,8% (52,4) (132,6) -5,6% (140,5)
Despesas (4,2) 7,3% (3,9) (13,9) 28,4% (10,8)
Lucro oper/EBIT 17,2 -30,4% 24,7 40,1 -46,7% 75,3
Mg oper/EBIT % 26,5% -4,0 p.p. 30,5% 21,5% -11,7 p.p. 33,2%
Receitas financeiras, líquidas (0,2) -61,0% (0,4) (0,8) -25,1% (1,1)
Imposto de renda e contribuição social (5,9) -33,4% (8,8) (13,5) -49,4% (26,6)
Lucro líquido 11,2 -27,9% 15,5 25,8 -45,8% 47,6
Margem líquida % 17,2% -1,9 p.p. 19,2% 13,8% -7,2 p.p. 21,0%

Conforme demonstrado na Tabela 8, a alíquota efetiva de imposto de renda do 3T26 foi de apenas 3%. Conforme explicado nos destaques do trimestre, foi reconhecido um crédito tributário no valor de R$ 29,2 milhões, sendo cerca de R$ 24,4 milhões de principal nessa linha. Desconsiderando esse crédito, a alíquota seria de 23,2% e os principais fatores que reduziram a alíquota efetiva em comparação com a alíquota nominal de 34% foram: i) a equivalência patrimonial do período, ii) a exclusão do crédito outorgado de ICMS da base de apuração do imposto e iii) o benefício fiscal da distribuição de juros sobre capital próprio. Já quando se considera a variação em relação à alíquota efetiva do 3T25 (sem o crédito tributário), a redução de 5,5 p.p. foi decorrente da maior distribuição de juros sobre capital próprio e da exclusão do crédito presumido de ICMS da base do imposto.

Tabela 8 – Alíquota de IR e CSLL 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Resultado antes do IR e CSLL 120,5 7,7% 111,9 296,6 11,4% 266,3
Alíquota nominal -34,0% – -34,0% -34,0% – -34,0%
IR e CSLL pela alíquota nominal (41,0) 7,7% (38,1) (100,8) 11,4% (90,5)
(-) Juros sobre capital próprio 6,5 107,1% 3,1 6,5 – 6,5
(-) Equivalência Patrimonial 1,9 -24,0% 2,5 4,3 -43,7% 7,7
(-) Crédito Presumido de ICMS 2,9 – – 5,8 – –
(-) Outros 26,2 6.849,9% 0,4 26,6 3.204,8% 0,8
Imposto de renda e contribuição social (3,5) -89,0% (32,0) (57,7) -23,7% (75,5)
Alíquota Efetiva -2,9% 25,7 p.p. -28,6% -19,4% 8,9 p.p. -28,4%

O lucro líquido do 3T26, conforme demonstrado na Tabela 9, foi de R$ 117 milhões, 46% superior na comparação anual, com uma margem líquida de 15,4%, 2,8 p.p. superior ao 3T25. Caso o crédito tributário no montante de R$ 29,2 milhões fosse desconsiderado, o lucro líquido seria de R$ 87,8 milhões, um aumento de 9,9% e uma margem líquida de 11,5%, 1,0 p.p. inferior ao 3T25. A redução da margem líquida, ex crédito tributário, ocorreu em função da redução da margem operacional e da equivalência patrimonial, apesar da redução da alíquota de imposto de renda.

Tabela 9 – Resultado Consolidado 3T26 Var % 3T25 9M26 Var % 9M25
Resultado operacional/EBIT 112,7 11,3% 101,2 284,1 21,0% 234,7
Equivalência Patrimonial 5,6 -24,0% 7,4 12,7 -43,8% 22,6
Resultado financeiro 2,2 -32,0% 3,3 (0,2) – 8,9
Resultado antes do IR e CSLL 120,5 7,7% 111,9 296,6 11,4% 266,3
Imposto de renda e contribuição social (3,5) -89,0% (32,0) (57,7) -23,7% (75,5)
Lucro líquido 117,0 46,5% 79,9 238,9 25,3% 190,7
Margem líquida % 15,4% 2,8 p.p. 12,6% 11,8% – 11,8%

Fluxo de caixa

O caixa líquido proveniente das atividades operacionais no 3T26 foi positivo em R$ 115 milhões, conforme a Tabela 11, devido ao desempenho operacional, à liberação de capital de giro e ao aproveitamento de créditos tributários no montante de R$ 5,2 milhões. O ciclo de caixa no 3T26 se reduziu dois dias, para 37 dias (vs. 2T26), como se pode observar no Gráfico 9, e se encontra na mínima dos últimos trimestres.

O caixa líquido proveniente das atividades de investimentos no 3T26 foi negativo em R$ 6 milhões, devido ao CAPEX “caixa” no montante de R$ 10,7 milhões e ao recebimento de R$ 4,2 milhões de dividendos da GDL.

Em relação ao CAPEX, conforme mostrado na Tabela 10, o montante investido no 3T26 foi de R$ 10,5 milhões. Os investimentos mais relevantes foram: i) benfeitorias em pátios localizados em Horizonte/CE, Serra/ES e Camaçari/BA, no valor de R$ 6,9 milhões e ii) aquisição de licenças do ERP, no montante de R$ 0,7 milhão.

Tabela 10 – CAPEX Consolidado 3T26 3T25 9M26 9M25
Manutenção & Benfeitorias gerais 7,8 7,1 20,8 17,5
Aquisição de equipamentos logísticos 0,5 8,8 2,6 11,3
TI 2,2 2,3 8,5 10,7
Terrenos – – 5,6 –
Total 10,5 18,2 37,5 39,6

O caixa líquido proveniente das atividades de financiamento no 3T26 foi negativo em R$ 73,6 milhões, devido ao pagamento de dividendos e JCP do 1S26, no montante de R$ 75 milhões, à captação de novos empréstimos, líquida de amortizações, no montante de R$ 11,3 milhões, e ao pagamento de arrendamentos, nos termos do IFRS 16, que totalizaram R$ 9,7 milhões.

Tabela 11 – Fluxo de Caixa Consolidado 3T26 3T25 9M26 9M25
A – Caixa inicial 196,9 347,2 113,9 241,3
1 – Caixa líquido proveniente das atividades operacionais 115,0 41,7 237,8 211,6
2 – Caixa líquido proveniente das atividades de investimentos (6,4) (22,9) (40,9) (37,3)
3 – Caixa líquido proveniente das atividades de financiamento (73,6) (120,3) (78,8) (169,9)
(=) Caixa final (A + 1 + 2 + 3) 232,0 245,7 232,0 245,7
4 – CAPEX “caixa” (10,7) (18,6) (45,5) (39,4)
5 – Pagamento de arrendamento mercantil (9,7) (7,9) (27,6) (23,0)
(=) Fluxo de caixa livre (1 + 4 + 5) 94,6 15,2 164,7 149,2

Endividamento e caixa

O caixa líquido em setembro de 2026 foi de R$ 78 milhões (R$ 154 milhões de dívida e R$ 232 milhões de caixa), um aumento vs. a posição de junho de 2026 (R$ 56 milhões), em função principalmente do fluxo de caixa livre do 3T26. No 3T26, a Tegma reforçou o caixa por meio da contratação de um empréstimo de R$ 12,5 milhões e do reperfilamento de uma dívida de R$ 22,5 milhões, ambas com custo de CDI + 0,8% a.a. e vencimento em agosto de 2027.

O índice dívida líquida / EBITDA ajustado LTM do 3T26 não pôde ser aplicado, visto que a Companhia apresentou caixa líquido. O índice de cobertura (EBITDA LTM sobre resultado financeiro LTM) do 3T26 também não é aplicável, uma vez que nos últimos 12 meses o resultado financeiro da Companhia foi positivo. Os covenants da Companhia são <2,5x e >1,5x, respectivamente.

O custo médio total da dívida bruta da Companhia em setembro de 2026 foi de CDI + 0,79%, 0,15 p.p. menor vs. junho de 2026, em função da contratação e da renovação dos empréstimos acima mencionados. Em março de 2026, a Fitch reafirmou o rating da Tegma em A (bra), com perspectiva estável.

Tabela 12 – Endividamento (consolidado) set-25 jun-26 set-26
Dívida circulante 28,3 34,9 50,3
Dívida não circulante 57,5 106,1 103,7
Dívida bruta 85,8 141,0 154,0
(-) Caixa 1,0 1,1 1,2
(-) Aplicações financeiras 244,7 195,8 230,8
Dívida (caixa) líquida(o) (159,8) (55,9) (78,0)
EBITDA (últimos 12 meses) 406,4 410,9 424,0
Dívida líquida / EBITDA (últimos 12 meses) – – –

Retorno sobre o Capital Investido e Valor Econômico Adicionado

Disclaimer: ROIC e EVA não devem ser considerados substitutos de outras medidas contábeis de acordo com o IFRS e podem não ser comparáveis a medidas similares usadas por outras empresas.

O ROIC do 3T26 foi de 31,4%, conforme o Gráfico 12, 0,4 p.p. inferior ao ROIC do 2T26, em função do aumento do capital empregado, que por sua vez cresceu em função da redução da posição do caixa líquido e do aumento do patrimônio líquido.

O EVA do 3T26, conforme mostrado no Gráfico 13, considerando um WACC entre 12% e 17% (faixa histórica adotada por analistas sell-side), situou-se entre R$ 110 milhões e R$ 147 milhões, uma leve melhora em relação aos R$ 108 milhões a R$ 144 milhões do 2T26, uma vez que o crescimento do resultado operacional mais do que compensou o maior custo do capital empregado.

Todas as operações atuais e prospectivas da Tegma passam por uma avaliação utilizando o EVA como critério de geração de valor e de viabilidade.